PRECONCEITO E DISCRIMINAÇÃO

25/07/2013 02:05

Quando se trata de falar sobre a dependência química, seja em casa, no trabalho, entre amigos e até mesmo dentro de um centro de tratamento especializado, existem muitas restrições sobre o assunto. A maioria das pessoas não querem se expor, ou não querem expor o problema que vive em casa, como se fosse uma vergonha infindável.

A dependência química é uma doença reconhecida pela (OMS) – Organização Mundial de Saúde que, por direito em nosso país, recebe apoio do governo, podendo o doente se afastar pelo INSS e fazer seu tratamento. Através do código internacional de doenças, um psiquiatra pode encaminhar o dependente para o afastamento do trabalho e da sociedade se preciso for, para tratamentos especializados.

A dependência de químicos é muito parecida com a diabetes, porem muito mais complexa. Dá mesma forma que um diabético não pode ingerir doce e tem que estar atento as suas recomendações médicas e taxas de glicose para se manter estabilizado, o dependente químico, podemos dizer que é alérgico a qualquer substância psicoativa, ou seja, substâncias que alteram o humor. Uma vez ingerida, atinge o sistema nervoso central e aciona a compulsão instantaneamente, pois o cérebro de um dependente químico tem tolerância a essas substâncias e enquanto não atinge esse grau de tolerância, não se sente satisfeito e pode ter comportamentos absurdos como já vimos, para conseguir uma nova dose.

Mesmo com comportamentos insanos, muitas vezes repetitivos, descontrole emocional, falta de espiritualidade e dificuldade de ver a realidade em que se encontra, devemos lembrar que é uma doença grave e que atinge todas as áreas da vida. Não podemos simplesmente recriminar ou julgar, pois não estão no auge de suas faculdades mentais e emocionais. Muitos fazem isso por não conhecer a complexidade da doença e por comodismo, pois é mais fácil mostrar o defeito do outro e se sentir superior, do que entender e ajudar. “É mais fácil lavar as mãos e apontar o próximo como errado”.

O dependente de químicos é apontado como marginal que podemos resumir em “a margem da sociedade”. A falta de informação da população é evidente e isso ocorre devido aos pouquíssimos programas de prevenção eficientes em nosso país, portanto não é possível atender a demanda de casos de dependência e co-dependência da sociedade. Se nossa legislação mudasse, o combate ao tráfico fosse honesto, nossos políticos se importassem realmente com a saúde pública e os meios de comunicação, principalmente a televisão, divulgassem mais sobre as formas de evitar do que as conseqüências letais, talvez pudéssemos pensar em um mundo melhor e menos doente. Mas vemos claramente que isso esta longe de acontecer, portanto cabe a nós minoria de boa vontade levar essa mensagem de prevenção e informar que a doença da dependência química é tratável e pode-se estabilizar, podemos prevenir antes de ver nossos amados familiares e amigos se destruírem.

Não tenham jamais pré-conceito e nem discriminação com doentes. Ajudem como puderem e se não puderem, não julguem, pois já sabem um pouco como é sofrido ter a doença da “DEPENDÊNCIA QUÍMICA”.